segunda-feira, 1 de março de 2010

EU



Virginianos são auto-críticos por natureza. Como tal, não poderia me ausentar do imenso grupo daqueles regidos pela constelação de virgo. Sou um auto-crítico nato.

Este traço típico da minha personalidade, durante um espaço razoável de tempo, conduziu-me por caminhos tortuosos. Não é desde sempre que possuímos a percepção e o discernimento em compreender a nós mesmos. Se considerarmos que desfragmentar o universo alheio é tarefa árdua, trazer o processo para dentro de si é ainda mais trabalhoso.

A despeito desta complexidade do mundo interno, com o passar dos dias, conseguimos desvendá-la gradualmente e enxergar quais os pontos a serem alterados. Nada fácil. Afinal, nossos medos e expectativas – quer as realizadas, quer as falidas – precisam ser dissecados com precisão cirúrgica. Aquelas imagens empoeiradas vão sendo retiradas do já tão carcomido baú, para que dediquemos a elas os merecidos lampejos do pensamento.

Como Historiador que sou, tenho a clareza de que mudanças são empreendidas através de processos históricos graduais que culminam invariavelmente na formação do mundo, tal como o conhecemos. Os sujeitos históricos, contrariando o que muita gente concebe como sensato, não se restringem unicamente aos grandes nomes eternizados pelos livros.

Os sujeitos da penumbra, muitas vezes desempenharam papéis cruciais nos giros da grande roda da História. Para ilustrar mais claramente, basta indagar sobre o que seria da Revolução na França de 1789 sem os milhões de camponeses e trabalhadores urbanos que se sacrificaram por amor à uma terra livre da exploração do Absolutismo.

Não estranhe! Você deve estar se perguntando o porquê destes dois parágrafos acima, aparentemente dissonantes ao que disserto nas demais linhas. Num dado momento podem lhe parecer fora de cadência. “Aparentemente” é o termo correto. A Revolução, tomei como exemplo.

O que procuro dizer através deles refere-se ao senso de luta em uma perspectiva, digamos, reducionista: Tomando os questionamentos pessoais como ponto de partida, alteramos as feições da totalidade. É o interrogatório que promovemos ao nosso “eu”. Cada um tem sua parcela de responsabilidade partindo do pensamento pessoal.

Faço um pequeno trocadilho sobre uma afirmação Histórica: “É necessário escovar nossa trajetória à contrapelo”. Em que sentido afirmo isto? Quero dizer que num determinado momento nos percebemos compelidos a tal. Minha própria voz interior me indica esta trilha e, claro, a seguirei.

Uma das tantas partes que perfazem meu todo é a natureza contemplativa. Falando em particular, ao limiar deste novo ano, tenho sentido meu potencial mais aflorado. Noto – sem a intenção de soar pretensioso ou algo do tipo - que sou capaz de muitas realizações e este fato por si só, se justifica como razão para que este “start” se mova dentro de mim.

O perfil contemplativo, antes sufocado, mostra-se com maior nitidez e o mal afamado teor auto-crítico vai se despindo do estigma pejorativo através do qual o observara anteriormente. É como se admirasse uma paisagem ao longe com lentes equivocadas.

Sua principal dádiva é auxiliar no despertar de um certo estágio letárgico no qual me encontrava ha tempos atrás.

3 comentários:

samuelvigiano disse...

Meu caro amigo, quando disse a principal dádiva finalizando o texto, fui completamente transportado ao meu passado. Claro, sem viver amarrado ao meu glorioso e lindo passado (o qual você percebeu pelo texto que retrata parte de minha infância).

A parte de auto crítica é um exercício árduo, mas necessário. Se todos fizéssemos regularmente e como deve ser feito, algo estaria bem melhor.

O sacrifício sempre é necessário para alcançar o objetivo tão sonhado...

Belíssimo texto, como sempre amigo.
Está de parabéns pela forma singular que expressa suas opiniões, pensamentos. Muito bom mesmo :)

Abração

Tatiana Maria disse...

Perfeito Rui... Adorei o insight

Beijos

Paulinha disse...

Querido Rui,

Parabéns pelo texto...eu já conhecia as características de um virginiano, mas agora eu posso dizer-lhe que conheci os detalhes ocultos do virginiano...hahah...

Essa parte para mim foi edificante, e mostrou essencialidade:

"Uma das tantas partes que perfazem meu todo é a natureza contemplativa. Falando em particular, ao limiar deste novo ano, tenho sentido meu potencial mais aflorado. Noto – sem a intenção de soar pretensioso ou algo do tipo - que sou capaz de muitas realizações e este fato por si só, se justifica como razão para que este “start” se mova dentro de mim".

Não é pretensão dizer que você é capaz! Isso é convicção e decisão para iniciar mais uma tentativa....cada vez que diz, eu sou capaz...isso "estimula" a buscar a sua capacidade em tal coisa...

Meu querido, que este ano você realize, e vai realizar....todos os seus desejos, basta lutar por eles...e você verá todas estas realizações acontecendo....

E quanto à natureza comtemplativa......Só me resta dizer, Parabéns pelas fotos...rs..as suas fotos é a prova da sua comtemplação...e através delas, muitos de nós contemplamos um pouquinho destas tão maravilhosas criações Divina.

Beijos!!
Muita paz na sua vida querido!!