sábado, 16 de fevereiro de 2008

VENENO PARA O PRÍNCIPE

Autora: Elizabeth Eyre
Ano de publicação: 1993. Inglaterra.
Publicado no Brasil pela editora Record.
Título original: Poison for the Prince.


Sigismondo é um soldado mercenário. Benno, seu servo. Una a estes dois um simpático cão - ao qual falta uma das orelhas - que atende por Biondello.


Este trio é responsável por conduzir o fio da meada neste maravilhoso enredo formado por intrigas palacianas, alquimia, católicos exaltados e soldados pouco confiáveis a serviço de quem lhes oferece o melhor soldo.


Veneno para o príncipe - uma história policial na renascença italiana traz tudo isso e além: Une os elementos e personagens típicos de uma era de mudanças, época em que mentes brilhantes e questionadoras começam a entrar em cena, apesar da perseguição católica: A era Renascentista.


Sigismondo e Benno, tendo à tiracolo Biondello como fiel companheiro, estão à serviço do príncipe da cidade italiana de Viverra com um objetivo inicial: colocar à prova a lealdade de Ridolfo Ridolfi, mais conhecido como Gatta, um condottiere (mercenário) à serviço de Scipione (príncipe de Viverra). Gatta, juntamente com seu subordinado, o capitão Michelotto Della Casa e seu exército estão incumbidos de tomar a cidade de Mascia, que é domínio do Conde Antonio Carlotti, um rebelde e inimigo de Scipione.


Como foi dito, este era o objetivo inicial... sem demora o trio se vê envolto numa intriga que vêm a justificar o título da obra: uma tentativa de assassinato através de envenenamento. A vítima? Sua alteza, o príncipe de Viverra: Scipione.


O desenrolar da história é empolgante por algumas razões: A qualidade na narrativa que como toda boa história de suspense, nos traz uma gama de suspeitos e de razões provindas de cada um deles. Assim como a riqueza na composição e descrição de cada personagem há tambem um cuidado ao se descrever os ambientes que são o cenário do enredo. A renascença italiana é colocada concomitantemente: complexa e sucinta nas contradições típicas da época, quando espiritualidade de ciência vão de encontro uma à outra. Alguns personagens mostram com clareza o embate Teocentrismo versus Antropocentrismo, como é o caso dos diálogos inflamados entre o frade inquisidor Columba e o alquimista Virgilio. A história ganha mais ânimo com a chegada tambem de frade Ambrógio à cidade de Viverra, embasando tambem as mudanças desta época de descobertas.


O frade franciscano Ambrógio, um pregador nômade contribui para o encanto da obra, visto que a intriga palaciana, eixo principal do livro é acompanhada de perto por outra circunstância não menos importante: A proximidade da peste negra em direção à Viverra. Mas como Ambrógio enriquece a narrativa? Elementar... O nômade em estada na cidade insufla a multidão contra o príncipe envenenado, pregando aos citadinos o grande desvio dos desígnios de Deus à medida que Scicpione se dedica ao êxito em possuir a pedra filosofal ( produzir ouro por meio da alquimia ).


Ambrógio tambem sacode a rotina do Bispo Ugolino, poderoso na cidade mais por sua voz de trovão e autoritarismo conservador que por seu espírito cristão... O velho Ambrógio "incendeia" os habitantes de Viverra ao pregar em praça pública sobre a proximidade da pestilência mortal: "irmãos! libertem-se das vaidades! (...) o seu espírito será julgado e apenas ele, não os seus bens materiais! (...) preparem-se pois o reino de Deus está próximo! (...)" . Esta é uma de suas falas. Sem mais delongas as fogueiras formadas por pilhas enormes de objetos símbolo da ostentação começam a arder... muita dor de cabeça para o poderoso bispo da cidade que passa a ser persona non grata... Ele e sua opulenta igreja...


Esta é uma das tantas agitações presentes em Veneno para o príncipe. Se caso eu fosse descrever cada circunstância marcante da obra não haveria blog que desse conta de tantas palavras.


Vale destacar alguns sujeitos da história. Coadjuvantes ou de primeira linha, cada um tem suas peculiaridades:




Prínipe Francesco: Filho de Scipione.


Donatto Landucci: Um refém.


Leoni Leconti: Pintor renascentista.


Doutor Virgílio: Um alquimista à serviço do príncipe Scipione.


Princesa Isotta: Esposa de Scipione.


Sigismondo: Soldado mercenário.


Benno: Servo de Sigismondo.


Uma bruxa.




Libertinagem, superstição, investigação, riqueza, ação e contradições se misturam neste suspense. Vale - e muito! - a pena pousar os olhos sobre ele.




Um comentário:

luciana disse...

oi amigo,deixando um recadim procê aqui no seu blog.Gostei viu? Gosto de amizades assim,que nos acrescentam,seja com suas dicas,seja com suas vidas,seja com sua simples presença na nossa vida.Gosto muitão de vc!!! beijos!!! Lu.