quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O SÍMBOLO PERDIDO

"São os olhos a lâmpada do corpo. Se teus olhos forem bons, todo o teu corpo será iluminado."     Mateus 6, Versículo 22.








   O Símbolo Perdido. A exemplo dos livros anteriores, este não me decepcionou em nada (ao contrário dos filmes, que são uma porcaria). Embarcando pela mesma temática ao estilo "Teoria da conspiração", ele conseguiu unir mais uma vez elementos que despertam a curiosidade: Símbolos secretos, mensagens cifradas, reviravoltas, ação, adrenalina e surpresas ao final. 


    Robert Langdon, o conhecido simbologista, é convidado de honra de seu amigo Peter Solomon (influente maçom, membro das mais ricas e tradicionais famílias americanas: Os Solomon), para dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos. Ao chegar, percebe que tudo se tratava de uma farsa. Ele havia sido enganado por um iniciado Maçom (Mala'kh), que traiu a irmandade, infiltrando-se nela em busca dos segredos mais preciosos: Os antigos Mistérios. Este é o fio da meada... Por aí vai...  Não vou aqui, narrar a história! Leia o livro!

   Embarcando num tema corrente nos dias atuais, o enredo é atraente. O tema agora é a maçonaria. Em meio aos Maçons e seus rituais, Dan traz à tona um suposto segredo guardado com esmero. As antigas profecias guardadas pelas mais diversas culturas. A despeito de distâncias temporais e idiomas, o ponto central entre elas é comum: Mudanças no ar. Passados séculos caminhando pelas sombras, a humanidade chegara a uma encruzilhada, decisiva e prevista desde muito tempo. A escuridão invadida pela luz, com revelações nunca antes expostas. Seria uma última oportunidade de desvio em direção à sabedoria.

    Afinal de contas, que "novo portal" seria este? Um saber secreto surgido no antigo Egito e transmitido ao longo dos tempos. Clandestino, ressurgiu na Europa renascentista, sendo confiado a um grupo de cientistas, pertencentes à Real Sociedade de Londres, apelidada de "Colégio Invisível". Este colégio teve ilustres participantes: Isaac Newton, Francis Bacon e até Benjamin Franklin. Nos novos tempos, membros não menos renomados fizeram parte dele: Einstein, Celsius, Hawking. Um conhecimento que, de acordo com Newton, "deveria ser guardado sob total silêncio, com o risco de grandes danos a todo o mundo."

    O autor mescla misticismo com ciência e, nada mais emblemático nesta fusão que a tal Ciência Noética, nome que deriva do grego "Nous" (algo como conhecimento interno ou consciência intuitiva). Os cientistas dessa vertente relativamente nova buscam elucidar questões há muito questionadas: A alma existe? Ela pode ser medida? O pensamento influencia o mundo físico? A Noética, a grosso modo, busca o ponto de interseção entre misticismo e ciência. 


      A mente domina a matéria.


     Conforme o enredo, o ano de 2001 teria sido muito especial, responsável por um salto exponencial nos estudos noéticos, pois, a partir dele, com atentado terrorista de 11 de setembro. Cientistas descobriram que à medida que o pensamento amedrontado de milhões de pessoas se uniam, os aparelhos chamados "geradores de efeitos aleatórios" espalhados pelo mundo, tornaram-se expressivamente menos aleatórios.  A junção de milhões de pensamentos afetou a aleatoriedade dos aparelhos, organizando as leituras e criando ordem a partir do caos. Ordo ab Chao.


    No livro é representada pela cientista Katherine Solomon (irmã de Peter Solomon), uma das responsáveis pelas revolucionárias pesquisas sobre a alma humana. O resultado dos seus longos anos de estudos estavam prestes a converter os pensamentos que perduram durante séculos.


    Óbvio, o livro não se atém ao que estou dissertando, tendo uma série de curiosidades interessantes. A questão é saber onde está o limite da ficção e o da realidade. Conforme o autor, todos os rituais, informações científicas, obras de arte e monumentos citados neste romance são reais. O mesmo é dito sobre o Centro de Apoio dos Museus Smithsonian (onde trabalha Peter) e o Instituto de Ciências Noéticas. De fato, conforme fui devorando esse delicioso livro, procurei dar umas olhadelas na internet, confirmando o que ele diz. Tudo verdade.

    Gostei especialmente da parte que se refere às supostas mensagens ocultas da Bíblia, através de mensagens cifradas, as famosas parábolas. Muitíssimo interessante! E é um belo exemplo deste encontro entre ciência e espiritualidade que o livro se propõe a colocar. Há muitas e muitas referências. Citarei apenas algumas pra que esse texto não fiquei muito extenso. (lembrando: Dan Brown afirma serem reais).



    Exames de ressonânca magnética feitos em Iogues meditando. O avançado estado de concentração fez com que seus cérebros produzissem, através da glândula pineal, uma determinada substância com efeito curativo e capaz de regenerar células. Esta não é igual à nenhuma outra produzida pelo corpo humano e é o segredo por trás da longevidade dos Iogues. Substância com propriedades únicas, apenas existindo a partir da mente em profunda concentração.


    Mesmo que num primeiro momento pareça não ter qualquer relação, a personagem associa esta pesquisa com um conhecido episódio bíblico: O "Maná": Alimento abençoado, enviado por Deus, que cai do céu em socorro ao povo faminto, conforme o antigo testamento. O Maná curava as doenças do corpo, dava a vida eterna e não gerava dejetos. 


   Seriam palavras cifradas ocultando um significado maior, já que, "Templo" seria um código para "corpo", e "Céu", para "mente". O Maná seria esta secreção produzida pelo cérebro. A Bíblia teria centenas de mensagens cifradas, tais como o versículo de Mateus com o qual iniciei o texto. A suposta "substância mágica" é citada também em diversas outras culturas: Néctar dos Deuses, Elixir da vida, fonte da juventude, Pedra Filosofal... etc...


   O reino de Deus está dentro de vós. Interessante.


   Acima disso, o livro traz questionamentos numa época em que é plausível considerar como válidos os conhecimentos dos antigos estudiosos. O homem de hoje em dia está sendo conduzido a olhar para o passado, com a ajuda de todo o aparato científico/tecnológico atual, ratificando muitas das afirmações: O poder mental do homem é algo que vai se desvendando concretamente.


 Volto a frisar: O que escrevi acima é baseado nos diálogos das personagens. Independentemente disso, podem sim, fazer todo o sentido e nos convida a uma reflexão maior.


      O que é afinal de contas, o tal símbolo perdido? É o potencial no interior de nossas mentes, ainda desconhecido em sua totalidade.


      Laus Deo.

     Agora... Imagine estas e muitas outras informações interessantes (o que está acima não é sequer 10% do que há) diluído em sequências muito bem escritas com ação e suspense viciante? Vale muito ler O Símbolo Perdido. Recomendadíssimo!

2 comentários:

Suzana Martins disse...

Eu concordo plenamente!!!

Esse livro é simplesmente TUDOOOO...

Eu sou uma apaixonada pela saga do Dan Brown... rsrs...

Quando li fiz um post tbm!!!!

Adoorei!!^^

BEijos

Cláudia Costa disse...

Que ótimo ler aqui, o que eu ainda não li. Embora seja fissurada por Dan Brown, esse livro ainda não li. Qualquer hora...quem sabe?
Adoro o que você escreve e admiro muitíssimo esse pensamento bem ordenado, prático, objetivo e coerente.
É um prazer a parte ler você aqui.

Bjk,

Cláu